sábado, 21 de novembro de 2009

Óleo de cozinha: verdades e mentiras

óleo usado:verdades e mentiras


Amigos do Biodiesel


A utilização de óleos pós-processamento é mínima e tem uma logística complexa. Em 1999, começamos no Rio de Janeiro o Programa Rio Biodiesel e como iniciativa fizemos um acordo com 60 lojas de uma grande cadeia de fast food de "doação" de óleo vegetal usado . Há dez anos tínhamos o mesmo discurso "não podemos jogar o óleo no ralo porque ele vai virar combustível limpo".

Como prevíamos além do óleo usado ter uma alta acidez e impuro demandava processos prévios além daqueles que promovem a transesterificação para a produção de Biodiesel. E sabíamos que comercialmente não havia lucro dado a logística de recolhimento.

Verificou-se também que o óleo usado era "vendido" para fazer sabão e mesmo assim o Programa Rio Biodiesel ganhou, espontaneamente, a mídia durante anos. A idéia é interessante e ainda cativa a todos.

Em 2007, o Secretário de Estado Carlos Minc (atual Ministro do meio ambiente), resolve, em uma ação inédita, adotar a compra de óleo usado e formou cooperativas de catadores, caminhão de coleta e uma política de incentivo e hoje ainda estamos estudando outras formas de ação de Estado e cada vez mais nos defrontamos com problemas tais como por exemplo: a questão do catador que é de suma importância o que torna compreensível as preocupações da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel.

O catador de latinhas de alumínio tem autonomia porque não precisa falar e nem pedir nada a ninguém e, no final do dia, vende sua mercadoria para a cooperativa. O catador de óleo, que também vive na mendicância, tem que se dirigir às donas de casa, donos de restaurantes, porteiros de prédio e sempre são maltratados e muitas vezes escorraçados. Acontecerá que esta tarefa será organizada pela classe média desempregada que, na onda da inclusão social, envolverá alguns miseráveis para acessar as benesses do poder público. Temos que regular a partir desta premissa.

Precisamos saber também que:

a) os grandes restaurantes vendem o óleo usado para fazer sabão cujo valor agregado é maior;

b) segundo a ABIOVE (só em soja) o Brasil consome 4 milhões de toneladas/ano ou (4 bilhões de L/ano). Fazendo um cálculo simples, cada habitante consome 20 ml/dia (20g de gordura) em tudo que come;

c) milhões de pessoas, que moram em casas e edifícios jogam no ralo por dia, em média, 2 ml de óleo, porque o óleo é praticamente consumido todo na comida. Lógico que este descarte, multiplicado pelo numero de habitantes, parece grande;

O que está se resolvendo hoje é tratar o esgoto e, a partir dele, produzir adubos ou mesmo extrair dele a gordura (escuma), para a produção de Biodiesel. Evidentemente, esta atividade deve ser subsidiada porque tem baixo rendimento. Entretanto, como iniciativa do poder público, tem valor.

Portanto, quem quiser falar em recolher óleo usado, precisa, antes de mais nada, fazer o balanço energético de cada passo, ou seja, calcular a diferença do custo da energia gasta para o recolhimento do óleo e o da energia produzida pelo Biodiesel. Até agora, ainda não tivemos um modelo de qualquer projeto deste tipo para considerá-lo comercialmente viável..

Então vejamos: porque a Europa não está fazendo Biodiesel a partir de óleo usado? Eles necessitam mais do que nós, porque plantam as oleaginosas em outros países e tem uma maior consciência ecológica.

Tratar o esgoto é que vai diminuir os gases que promovem o efeito estufa, as doenças, as internações hospitalares e aumentar a auto - estima e a dignidade.

Por fim, quem é obrigado a conviver com esgoto sem tratamento e a céu aberto, como a maior parte de nossa população, não sabe e não quer saber de camada de ozônio,de efeito estufa, de aquecimento global, de derretimento das calotas polares, de aumento do nível do mar, de Biodiesel, de células solares, de aerogeradores. E porque? porque, como já ouvi - isso é coisa de rico. Existem outras prioridades, como aquelas a que nos submetíamos quando estava em jogo a própria sobrevivência da espécie.


Nelson Furtado


Coordenador e Fundador do Programa Rio Biodiesel

2 comentários:

  1. Alessandro Massimo :
    óleo usado:verdades e mentiras
    Caro Sr.Nelson Furtado e demais,

    Primeiro quero me apresentar, sou micro empresário do ramo de beneficiamento de óleo e gorduras usados atuando desde 2007, aliás fazia parte da massa desempregada da classe média, como colocado no txt.

    Quero parabeniza-lo pela iniciativa e motiva-lo, ou pelo menos tentar, a não desanimar de organizar o processo de coleta e beneficiamento de OGR (óleos e gorduras residuais) e em praralelo expor minha posição e opinião sobre o fato, vamos lá;

    A grande questão não está apenas de se fomentar um negócio viável economicamente nos esquecendo, como sempre, do meio ambiente. É por este esquecimento, ou desdenho dos governos, não só do Brasil mas de todo mundo, q nosso planeta encontra-se na situação desastrosa, estão aí todas as catastrofes naturais para confirmar.

    Então qualquer iniciativa deste montamnte, q é a destinação de um residuo "altamente poluente" é no mínimo digna de apoio do poder público, e posso afirmar, tambem é econômicamente viável.

    O grande "gargalo" está na desorganização da classe dos "catadores" q insistem num sistema de escravidão e concorrência desleal entre eles mesmos, e pasmem ! chegando ao ponto de um furtar o outro.

    Este comercio, desenfreado sem o mínimo de organização, tornou o residuo, q deveria ser descartado, um valor agregado aos rendimentos dos restaurandes,pastelarias e outros grandes, como uma rede de fast food's que graças ao grande volume gerado chega a faturar R$0,80 por litro ! abre concorrência e tudo ! situação hilária, quem mais polui é quem mais fatura ...

    É fato que esta onda de biodiesel veio a incrementa-lo ainda mais, mas sinceramnte não vejo inviabilidade no processo, o q falta é organizar e regulamentar a logistica de coleta/descarte do residuo, tornando-a factível e operacional para produção do biodiesel.

    Obviamente o poder público precisa atuar regulamentando e incentivando as empresas e cooperativas, que atuam diretamente com o residuo, para que estas empreguem os catadores lhes dando um mínimo de diguinidade, pois como cidadãos que são e merecem, e ainda como agentes à favor do meio ambiente, devem ser respeitados.

    E claro,acabar com o comercio informal dos grandes geradores, pois estes devem pagar para o descarte do residuo, assim como em todos os outros setores empresariais do país.

    Quanto ao tratamento do esgosto para gerar algum insumo ou subproduto é com certeza uma grande iniciativa, torço para que o projeto da CEDAE aconteça e de certo, mas no meu entendimento a infraestrutura de saneamento é obrigação do governo, pois já pagamos altos impostos para este fim.

    Alessandro Massimo
    Bio Renove

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  2. Gostaria de agradecer pela a ajuda e colaboração ao meu trabalho... Finalmente cumpri minha etapa estudantil e me formei. Obrigado pela atenção!
    Atenciosamente
    Wilson

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